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Azoospermia: o que é, principais causas, diagnóstico e tratamentos

By Agosto 27, 2026No Comments

Azoospermia é a ausência completa de espermatozoides no sêmen ejaculado, identificada por meio do espermograma, principal exame utilizado na investigação da fertilidade masculina.

A condição está presente em aproximadamente 1% da população masculina e pode representar entre 10% e 15% dos casos de infertilidade masculina. Entretanto, o diagnóstico isoladamente não explica por que os espermatozoides não estão presentes no ejaculado.

Esse ponto é essencial. Em alguns homens, os testículos continuam produzindo espermatozoides, mas existe uma obstrução que impede sua chegada ao sêmen. Em outros, a alteração está diretamente relacionada à produção espermática dentro dos testículos.

Por essa razão, a investigação precisa diferenciar principalmente dois tipos de azoospermia:

  • Azoospermia obstrutiva: existe produção de espermatozoides, mas eles não conseguem alcançar o sêmen devido a uma obstrução.
  • Azoospermia não obstrutiva: existe comprometimento parcial ou significativo da produção de espermatozoides nos testículos.

Essa distinção influencia o prognóstico, os exames necessários e as possibilidades de tratamento.

Azoospermia obstrutiva

Na azoospermia obstrutiva, os testículos podem produzir espermatozoides normalmente. O problema está no trajeto responsável por conduzi-los até a uretra.

A obstrução pode ocorrer em diferentes pontos do sistema reprodutor masculino e impedir que os espermatozoides sejam encontrados no ejaculado.

Entre as causas descritas estão:

  • Vasectomia prévia.
  • Ausência congênita dos ductos deferentes.
  • Infecções que provocaram cicatrizes nos epidídimos.
  • Lesões cirúrgicas acidentais em procedimentos pélvicos ou inguinais.

Esse tipo de azoospermia apresenta uma característica importante: a produção espermática pode estar preservada. Assim, dependendo da causa, pode ser possível reconstruir o trajeto dos espermatozoides ou realizar sua extração diretamente para utilização em reprodução assistida.

Azoospermia não obstrutiva

Na azoospermia não obstrutiva, a principal alteração está na produção dos espermatozoides dentro dos testículos. A produção pode estar muito reduzida ou não ocorrer de maneira suficiente para que sejam encontrados no ejaculado.

Entre os fatores relacionados estão:

  • Alterações hormonais.
  • Alterações genéticas.
  • Varicocele em graus avançados.
  • Quimioterapia.
  • Radioterapia.
  • Falência testicular primária.
  • Uso prolongado de esteroides anabolizantes.

A investigação dessa forma de azoospermia costuma ser mais complexa porque é necessário determinar se ainda existem áreas de produção espermática dentro dos testículos.

Mesmo nos casos mais complexos, técnicas de extração espermática, especialmente a micro-TESE, ampliaram as possibilidades terapêuticas.

Principais causas da azoospermia

A origem da azoospermia pode ser genética, hormonal, anatômica, cirúrgica, infecciosa ou relacionada a fatores externos. A identificação da causa é uma das etapas mais importantes da investigação.

Principais Causas da Azoospermia

Categorias, exemplos clínicos e relação com os mecanismos obstrutivos e não obstrutivos

Dr. Julliano Guimarães Urologia Especializada
Categoria Exemplos Tipo associado
Genética
Exemplos Síndrome de Klinefelter e microdeleções do cromossomo Y Tipo associado Não obstrutiva
Hormonal
Exemplos Hipogonadismo hipogonadotrófico e alterações hipofisárias Tipo associado Não obstrutiva
Anatômica
Exemplos Ausência congênita dos ductos deferentes e criptorquidia não corrigida Tipo associado Obstrutiva ou não obstrutiva
Cirúrgica
Exemplos Vasectomia e cirurgias de hérnia inguinal Tipo associado Obstrutiva
Infecciosa
Exemplos Epididimite, orquite e infecções sexualmente transmissíveis Tipo associado Obstrutiva
Vascular
Exemplos Varicocele em graus avançados Tipo associado Não obstrutiva
Externa
Exemplos Quimioterapia, radioterapia e uso prolongado de esteroides anabolizantes Tipo associado Não obstrutiva

Além dessas causas, fatores relacionados à exposição ocupacional a calor excessivo, toxinas ambientais e uso indiscriminado de suplementos hormonais podem comprometer a espermatogênese. Por isso, hábitos, histórico médico e medicamentos utilizados também fazem parte da avaliação.

Quais sintomas podem estar relacionados à azoospermia?

A azoospermia geralmente não apresenta sintomas específicos. Em muitos casos, o homem descobre a condição somente quando o casal procura atendimento médico devido à dificuldade para engravidar.

Quando existem manifestações clínicas, elas podem estar relacionadas principalmente à causa responsável pela alteração.

Entre os sinais que podem aparecer estão:

  • Diminuição do volume dos testículos.
  • Redução da libido.
  • Disfunção erétil associada a alterações hormonais.
  • Dor ou desconforto testicular.
  • Ginecomastia em situações de desequilíbrio hormonal.
  • Histórico de infecções urinárias ou sexualmente transmissíveis não tratadas.

A ausência desses sinais não exclui a possibilidade de azoospermia. Essa é uma das razões pelas quais o espermograma possui papel central na investigação da fertilidade masculina.

Azoospermia o que é, principais causas, diagnóstico e tratamentos
Foto Ilustrativa

Como é feito o diagnóstico da azoospermia?

O diagnóstico não deve ser baseado em uma única informação. A investigação começa com a confirmação da ausência de espermatozoides e, posteriormente, procura estabelecer a causa.

A avaliação pode envolver espermograma, exames hormonais, exame físico, ultrassonografia e testes genéticos, conforme as características apresentadas pelo paciente.

  • Espermograma

O espermograma é o exame inicial da investigação. Quando não são encontrados espermatozoides, o resultado deve ser confirmado em pelo menos duas amostras coletadas em momentos diferentes.

A repetição é importante porque fatores relacionados à coleta e à abstinência podem interferir no resultado.

Portanto, um único espermograma sem espermatozoides não deve ser interpretado isoladamente como uma conclusão definitiva sobre a capacidade reprodutiva do homem.

  • Avaliação hormonal

Os exames hormonais ajudam a entender como está funcionando o eixo responsável pela produção espermática.

Entre os exames utilizados estão:

  • FSH.
  • LH.
  • Testosterona total.
  • Prolactina.

A interpretação desses resultados em conjunto com o exame físico e o espermograma ajuda a diferenciar alterações relacionadas à produção testicular de possíveis obstruções ou alterações hormonais.

Valores elevados de FSH podem estar associados à falência testicular primária, enquanto níveis normais ou reduzidos podem aparecer em situações de obstrução ou alterações hipofisárias.

  • Exame físico e ultrassonografia

A avaliação física dos testículos, epidídimos e ductos deferentes fornece informações importantes para a investigação.

A ultrassonografia escrotal pode auxiliar na identificação de alterações anatômicas, varicocele, cistos e outras condições relacionadas ao sistema reprodutor masculino.

Em determinadas situações, também pode ser utilizada a ultrassonografia transretal para complementar a investigação.

  • Exames genéticos

Os exames genéticos assumem importância principalmente nos casos de azoospermia não obstrutiva.

Entre as avaliações possíveis estão o cariótipo e a pesquisa de microdeleções do cromossomo Y. Essas alterações podem ajudar a explicar o comprometimento da produção espermática e também possuem importância no planejamento de tratamentos de reprodução assistida.

Como tratar a azoospermia

Não existe um único tratamento para todos os casos. A escolha depende principalmente da causa, do tipo de azoospermia e da possibilidade de encontrar ou recuperar espermatozoides.

As estratégias podem incluir:

  1. Tratamento hormonal em situações específicas.
  2. Correção cirúrgica de determinadas causas.
  3. Reconstrução do trajeto dos espermatozoides.
  4. Extração espermática dos epidídimos.
  5. Extração espermática dos testículos.
  6. Técnicas de reprodução assistida.

O objetivo não é simplesmente tratar o resultado do espermograma, mas identificar o mecanismo que levou à ausência de espermatozoides no ejaculado.

Tratamento da azoospermia obstrutiva

Quando a produção dos espermatozoides está preservada, o tratamento pode se concentrar na obstrução.

Em determinados pacientes, procedimentos microcirúrgicos podem reconstruir o trajeto responsável pelo transporte dos espermatozoides. A vasovasostomia, por exemplo, pode ser utilizada em situações específicas de reversão de vasectomia.

Quando a reconstrução não é viável, os espermatozoides podem ser obtidos diretamente do epidídimo ou dos testículos.

Entre as técnicas utilizadas estão:

  • PESA.
  • MESA.
  • TESE.

Os espermatozoides obtidos podem ser utilizados em procedimentos de reprodução assistida, incluindo fertilização in vitro com injeção intracitoplasmática de espermatozoide, conhecida como ICSI.

Tratamento da azoospermia não obstrutiva

Nos casos não obstrutivos, a estratégia depende da origem do comprometimento da produção espermática.

Quando existe uma causa hormonal específica, o tratamento pode envolver reposição ou estímulo hormonal. Em situações de hipogonadismo hipogonadotrófico, por exemplo, essa abordagem pode permitir a recuperação parcial ou total da espermatogênese.

Quando a causa está relacionada à varicocele, a correção cirúrgica pode melhorar os parâmetros seminais em uma parcela dos pacientes.

Nos quadros de falência testicular mais avançada, a micro-TESE pode ser considerada para procurar, com auxílio de microscópio cirúrgico, pequenos focos de produção espermática dentro dos testículos.

Micro-TESE e as possibilidades de recuperação espermática

A micro-TESE representa uma evolução importante no tratamento da azoospermia não obstrutiva.

Diferentemente da biópsia testicular convencional, a técnica utiliza microscópio cirúrgico para localizar áreas do tecido testicular com maior possibilidade de apresentar produção espermática residual.

Esse recurso é particularmente relevante porque a produção de espermatozoides pode não estar distribuída de maneira uniforme dentro do testículo. Assim, a identificação de áreas específicas pode aumentar a possibilidade de encontrar espermatozoides viáveis em determinados pacientes.

A indicação, entretanto, depende de uma avaliação individualizada, considerando exames hormonais, características clínicas, investigação genética e histórico do paciente.

Novidades e atualizações no tratamento da azoospermia

Os avanços na urologia reprodutiva têm ampliado as possibilidades de investigação e tratamento da azoospermia, especialmente nos casos não obstrutivos.

A micro-TESE ganhou espaço como uma das principais técnicas de recuperação espermática nesses pacientes por permitir a identificação microscópica de áreas de produção residual e reduzir a retirada desnecessária de tecido testicular.

Outro aspecto que recebe atenção crescente é a análise da fragmentação do DNA espermático em espermatozoides obtidos por procedimentos de extração. Esse parâmetro pode contribuir para a avaliação dos resultados relacionados à reprodução assistida.

A preservação da fertilidade também passou a receber atenção em pacientes que serão submetidos a tratamentos oncológicos.

A possibilidade de preservar espermatozoides ou tecido testicular antes de determinadas terapias pode ser relevante para pacientes com risco de comprometimento da produção espermática.

Essas estratégias reforçam uma mudança importante na abordagem da azoospermia: o diagnóstico deve ser feito com precisão antes da definição do tratamento, evitando decisões baseadas exclusivamente no resultado de um exame.

Azoospermia significa que o homem não pode ter filhos biológicos

Não necessariamente. Essa é uma das informações mais importantes após o diagnóstico. A ausência de espermatozoides no ejaculado não significa, por si só, que não existam espermatozoides nos testículos ou que a fertilidade biológica esteja definitivamente perdida.

Na azoospermia obstrutiva, por exemplo, a produção pode estar preservada e o problema ser exclusivamente o bloqueio do trajeto.

Na azoospermia não obstrutiva, mesmo quando a produção é muito reduzida, podem existir pequenos focos de espermatogênese que podem ser investigados por técnicas de extração, como a micro-TESE.

Quando espermatozoides são recuperados, eles podem ser utilizados em técnicas de reprodução assistida.

Quando procurar um urologista

A investigação da fertilidade masculina não deve ser adiada quando o casal enfrenta dificuldades para engravidar.

Casais que tentam uma gestação há mais de um ano sem sucesso devem procurar avaliação médica. O homem deve ser investigado paralelamente à parceira, pois alterações masculinas podem participar do quadro de infertilidade.

A avaliação também merece atenção em homens com histórico de:

  • Criptorquidia.
  • Cirurgias pélvicas ou inguinais.
  • Infecções genitais não tratadas.
  • Tratamento anterior com quimioterapia ou radioterapia.
  • Uso prolongado de esteroides anabolizantes.

Quanto mais clara for a causa, mais direcionada poderá ser a estratégia terapêutica.

O que considerar após o diagnóstico

Receber um resultado de azoospermia pode gerar preocupação, mas o próximo passo não deve ser definido apenas pelo resultado do espermograma.

A investigação precisa responder perguntas fundamentais:

  1. Os testículos produzem espermatozoides?
  2. Existe uma obstrução no trajeto?
  3. Há alteração hormonal?
  4. Existe alguma causa genética?
  5. Há possibilidade de correção cirúrgica?
  6. É possível recuperar espermatozoides por extração?
  7. Existe indicação de reprodução assistida?

Essas respostas ajudam a transformar um diagnóstico inicialmente preocupante em um plano de investigação e tratamento mais objetivo.

A azoospermia exige uma investigação cuidadosa porque a ausência de espermatozoides no ejaculado pode resultar de mecanismos completamente diferentes.

Identificar se existe obstrução, comprometimento da produção, alteração hormonal, fator genético ou outra causa é o que permite definir as possibilidades reais de tratamento e recuperação da fertilidade.

Diante dessa complexidade, a avaliação com um urologista especializado, como o Dr. Julliano Guimarães, oferece uma condução baseada em investigação individualizada, precisão técnica e critérios médicos adequados, permitindo que cada paciente receba orientação segura e compatível com seu quadro clínico e com as normas aplicáveis à assistência médica.

Perguntas frequentes sobre azoospermia

Azoospermia pode aparecer depois de uma cirurgia?

Sim. Determinadas cirurgias pélvicas ou inguinais podem provocar lesões que interferem no transporte dos espermatozoides.

O homem com azoospermia ainda pode ejacular?

Sim. A azoospermia significa ausência de espermatozoides no sêmen e não necessariamente ausência de ejaculação.

Azoospermia altera o volume do sêmen?

A alteração do volume seminal depende da causa e não é suficiente, isoladamente, para determinar se existe azoospermia.

Azoospermia pode ser causada por uma infecção antiga?

Sim. Infecções como epididimite, orquite e algumas infecções sexualmente transmissíveis podem estar relacionadas à obstrução do trajeto espermático.

A ausência dos ductos deferentes pode causar azoospermia?

Sim. A ausência congênita dos ductos deferentes está entre as causas anatômicas relacionadas à condição.

Criptorquidia pode estar relacionada à azoospermia?

Sim. A criptorquidia não corrigida está associada a alterações que podem comprometer a produção espermática.

Azoospermia pode estar relacionada à hipófise?

Sim. Alterações hipofisárias podem interferir na produção hormonal necessária para a espermatogênese.

FSH alto significa que não existem espermatozoides nos testículos?

Não necessariamente. O FSH elevado pode indicar comprometimento da função testicular, mas a interpretação precisa considerar toda a investigação.

O uso de anabolizantes pode interferir na fertilidade?

Sim. O uso prolongado de esteroides anabolizantes está relacionado ao comprometimento da produção de espermatozoides.

O calor pode prejudicar a produção de espermatozoides?

A exposição ocupacional a calor excessivo é apontada como um fator que pode comprometer a espermatogênese.

Azoospermia pode ser consequência de radioterapia?

Sim. A radioterapia está entre os fatores externos associados ao comprometimento da produção espermática.

O tratamento da azoospermia é sempre cirúrgico?

Não. Dependendo da causa, o tratamento pode envolver abordagem hormonal, correção de condições específicas ou técnicas de extração espermática.

Todo paciente com azoospermia precisa fazer micro-TESE?

Não. A micro-TESE é principalmente considerada em determinados casos de azoospermia não obstrutiva, conforme a avaliação individual.

PESA e MESA são a mesma técnica?

Não. Ambas podem ser utilizadas na azoospermia obstrutiva, mas possuem características e formas de obtenção espermática diferentes.

A TESE convencional pode ser usada na azoospermia?

Sim. A TESE pode ser utilizada em situações obstrutivas e não obstrutivas, dependendo da avaliação médica.

A azoospermia pode estar relacionada à varicocele?

Sim. A varicocele em graus avançados pode comprometer a produção de espermatozoides e estar associada à azoospermia não obstrutiva.

A idade é o principal fator relacionado à azoospermia?

Não. A azoospermia possui diversas causas e a idade tem impacto diferente de acordo com o contexto clínico.

O tratamento pode recuperar os espermatozoides no ejaculado?

Em determinadas situações, sim. Quando a causa é tratável, a correção pode permitir o restabelecimento da passagem ou da produção espermática.

É possível preservar a fertilidade antes da quimioterapia?

Quando possível, estratégias de preservação de espermatozoides ou tecido testicular podem ser consideradas antes de tratamentos que apresentam risco à fertilidade.

A investigação deve ser feita somente pelo homem?

Não. A avaliação da infertilidade deve considerar o casal, com investigação masculina e feminina realizada de maneira adequada e, quando necessário, paralela.

Revisado pelo: Médico Urologista Dr. Julliano Guimarães – CRM129.290 – RQE 46.205. 

Atendimento presencial em São Paulo (Jardim Paulista)

Para avaliação presencial e orientação individualizada sobre procedimentos e cuidados, o atendimento ocorre em consultório em São Paulo:

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Observação: as informações deste conteúdo têm caráter educativo e não substituem consulta médica. A indicação depende de avaliação clínica.

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Médico urologista Dr. Julliano Guimarães – CRM 129.290

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