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Quais pomadas são usadas na Doença de Peyronie e quando podem ajudar?

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A doença de Peyronie é uma condição urológica que provoca a formação de placas de tecido fibrótico no interior do pênis, resultando em curvatura, dor durante a ereção e, em casos mais avançados, disfunção erétil. Estima-se que o problema acomete entre 3% e 9% dos homens adultos, com maior prevalência após os 40 anos.

Embora cirurgias, terapias de tração e injeções intralesionais estejam entre as abordagens mais discutidas no tratamento da Peyronie, muitos pacientes chegam ao consultório buscando uma alternativa aparentemente mais simples: o uso de pomadas. A resposta, porém, exige clareza técnica, porque nem toda opção tópica tem eficácia comprovada para corrigir a curvatura peniana ou reduzir a placa fibrótica.

Nota: O uso tópico tem indicações específicas, limitações importantes e jamais deve ser feito sem orientação médica.

Por que o tratamento precisa ser individualizado?

O tratamento varia conforme a fase da doença, a intensidade da curvatura, a presença de dor e o impacto funcional relatado pelo paciente. Existem basicamente duas fases:

  1. Fase aguda: Duração de 6 a 18 meses, com dor ativa, progressão da curvatura e placa em formação
  2. Fase crônica: Estabilização da curvatura, ausência de dor e placa consolidada

Essa distinção é fundamental para entender por que as pomadas têm indicações tão restritas.

Doença de Peyronie
Foto Ilustrativa

Pomadas usadas na doença de Peyronie: o que a medicina usa e por quê

O uso de agentes tópicos na doença de Peyronie é estudado há décadas, mas a evidência científica disponível ainda é limitada quando comparada às terapias intralesionais e cirúrgicas. Ainda assim, alguns compostos são utilizados na prática clínica, especialmente em fases iniciais ou como terapia adjuvante.

Verapamil tópico

O verapamil é um bloqueador dos canais de cálcio originalmente desenvolvido para tratar hipertensão. Na doença de Peyronie, ele atua inibindo a síntese de colágeno e estimulando a produção de colagenase, a enzima que degrada o tecido fibrótico.

O verapamil pode ser aplicado por via intralesional (injeção direta na placa) ou em gel tópico. A formulação tópica apresenta menor penetração na túnica albugínea em comparação à injeção, o que limita sua eficácia. Alguns estudos observacionais relatam melhora discreta da curvatura e da dor em fase aguda, mas os resultados são inconsistentes.

Indicação clínica: fase aguda, como adjuvante, em pacientes que recusam injeções ou aguardam procedimento mais definitivo.

H-100 (gel de verapamil com nitroglicerina)

Trata-se de uma formulação combinada desenvolvida especificamente para uso tópico na doença de Peyronie. O H-100 associa verapamil e nitroglicerina em gel. A nitroglicerina tem efeito vasodilatador e pode facilitar a penetração do verapamil na placa fibrótica.

Estudos preliminares mostraram redução da curvatura e da dor em alguns pacientes na fase aguda. No entanto, o produto ainda não possui aprovação regulatória ampla e não está disponível comercialmente no Brasil de forma padronizada.

pomadas para Doença de Peyronie
Foto Ilustrativa

Pomadas à base de vitamina E

Durante muitos anos, a vitamina E oral e tópica foi amplamente utilizada como tratamento para a doença de Peyronie. Sua ação antioxidante era considerada potencialmente benéfica para reduzir a fibrose.

Contudo, estudos controlados mais rigorosos não confirmaram eficácia superior ao placebo. As diretrizes da American Urological Association (AUA) e da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) não recomendam a vitamina E tópica como tratamento isolado, embora alguns médicos ainda a utilizem como coadjuvante.

Colchicina tópica

A colchicina é um anti-inflamatório utilizado principalmente no tratamento da gota. Sua capacidade de inibir a formação de colágeno levou pesquisadores a estudar seu potencial na doença de Peyronie, tanto por via oral quanto tópica.

Os resultados em estudos tópicos são escassos e inconclusivos. O uso oral tem evidência marginalmente maior, mas ainda insuficiente para recomendação isolada pelas principais diretrizes urológicas.

Interferon alfa-2b tópico

O interferon é uma proteína com ação anti-inflamatória e antifibrótica. Por via intralesional, o interferon alfa-2b apresenta evidências positivas reconhecidas pelas diretrizes. A versão tópica, porém, não demonstrou penetração suficiente para atingir a placa com concentração terapêutica.

Dr. Julliano Guimarães – Doença de Peyronie

Abordagem Tópica na Doença de Peyronie

Dr. Julliano Guimarães | Urologia Especializada

Agente tópico Mecanismo de ação Evidência científica Disponibilidade no Brasil Indicação atual
Verapamil gel Inibe síntese de colágeno Limitada Manipulado Adjuvante fase aguda
H-100 (verapamil + nitroglicerina) Antifibrótico + vasodilatador Preliminar Não padronizado Pesquisa clínica
Vitamina E tópica Antioxidante Não confirmada Farmácias e manipuladas Não recomendada isoladamente
Colchicina tópica Anti-inflamatório Insuficiente Manipulado Uso off-label restrito
Interferon alfa-2b tópico Antifibrótico Insuficiente Não disponível Não recomendado

Por que as pomadas têm eficácia limitada na doença de Peyronie

A principal barreira ao uso tópico eficaz na doença de Peyronie é anatômica. A túnica albugínea é uma estrutura densa e pouco vascularizada, o que dificulta a penetração de substâncias aplicadas sobre a pele. A maioria dos agentes tópicos não consegue atingir concentração terapêutica suficiente no local da placa fibrótica.

Isso não significa que o uso tópico seja completamente ineficaz em todos os pacientes, mas explica por que:

  • As injeções intralesionais (como colagenase de clostridium histolyticum) têm resultados superiores
  • A fisioterapia com ultrassom terapêutico pode potencializar a penetração de alguns agentes
  • O terapia de ondas de choque extracorpóreas é considerada mais eficaz para redução da dor
  • A cirurgia permanece como padrão-ouro nos casos crônicos com curvatura acima de 30 graus e disfunção erétil associada
Por que as pomadas têm eficácia limitada na doença de Peyronie
Foto Ilustrativa

Quando o médico pode indicar uma pomada no tratamento?

Apesar das limitações, o urologista pode considerar o uso de agentes tópicos nas seguintes situações:

  • Fase aguda inicial, com dor presente e curvatura em progressão
  • Pacientes que recusam injeções e aguardam avaliação cirúrgica
  • Terapia combinada, associada a outras modalidades como penile traction therapy (PTT) e ondas de choque
  • Curvatura leve a moderada (abaixo de 30 graus) sem disfunção erétil significativa
  • Perfil clínico de baixo risco cirúrgico em que se opta por conduta conservadora temporária

Em nenhuma dessas situações o uso tópico deve ser iniciado por conta própria. A automedicação, além de ineficaz, pode atrasar o diagnóstico correto e o início do tratamento adequado.

Novidades e atualizações no tratamento tópico da doença de Peyronie

A pesquisa sobre novas formulações tópicas para a doença de Peyronie está em andamento. Entre os desenvolvimentos mais recentes, destacam-se:

  • Nanopartículas carreadoras: tecnologias de liberação controlada que permitem que moléculas ativas atravessem a barreira da túnica albugínea com maior eficiência. Estudos pré-clínicos mostram resultados promissores, mas ainda sem aplicação clínica consolidada.
  • Gel de colchicina nanoencapsulada: formulações experimentais que utilizam nanoencapsulamento para aumentar a biodisponibilidade da colchicina na placa fibrótica, com estudos em fase inicial.
  • Peptídeos antifibróticos tópicos: linha de pesquisa que busca desenvolver moléculas menores, capazes de penetrar tecidos densos e atuar diretamente na remodelação do colágeno.

Essas tecnologias ainda não estão disponíveis na prática clínica cotidiana, mas indicam que o futuro do tratamento tópico pode ser mais promissor do que o cenário atual.

O que não fazer: erros comuns no uso de pomadas na doença de Peyronie

Muitos pacientes recorrem à internet antes de consultar um especialista e acabam cometendo erros que podem agravar o quadro ou atrasar o tratamento correto. Os mais frequentes são:

  • Usar pomadas analgésicas ou anti-inflamatórias genéricas
    Sem relação com a patologia
  • Aplicar produtos sem prescrição
    Baseando-se em relatos de fóruns ou grupos de redes sociais
  • Acreditar que qualquer pomada com “efeito fibrolítico”
    Pode substituir o tratamento médico
  • Interromper o acompanhamento urológico
    Por acreditar que o uso tópico é suficiente
  • Confundir melhora temporária da dor
    Com resolução da placa fibrótica

A doença de Peyronie é uma condição com impacto físico e psicológico relevante. O diagnóstico correto, feito por meio de anamnese detalhada, exame físico e, quando necessário, ultrassonografia com Doppler peniano, é o ponto de partida para qualquer tratamento eficaz.

O tratamento da doença de Peyronie exige avaliação criteriosa, baseada em evidências e personalizada para cada paciente. O uso de pomadas pode ter papel adjuvante em situações específicas, mas jamais substitui o acompanhamento urológico especializado.

Diante de tantas opções e informações conflitantes sobre o tratamento da doença de Peyronie, contar com um urologista experiente faz toda a diferença no resultado. O Dr. Julliano Guimarães está preparado para avaliar seu caso com precisão técnica e indicar o caminho terapêutico mais adequado para a sua realidade clínica.

Dúvidas mais comuns sobre o tratamento com pomadas

O que é exatamente a doença de Peyronie?

É uma condição em que placas de tecido fibrótico se formam no pênis, causando curvatura, dor e, em alguns casos, disfunção erétil.

A doença de Peyronie tem cura?

Sim, em muitos casos é possível tratar com sucesso, especialmente com cirurgia nos casos crônicos ou terapias intralesionais na fase aguda.

As pomadas realmente eliminam a placa fibrótica da doença de Peyronie?

Não há evidência científica robusta de que pomadas tópicas eliminem a placa; elas podem reduzir a dor e ter efeito coadjuvante limitado.

Qual é o melhor tratamento disponível atualmente para a doença de Peyronie?

A colagenase de clostridium histolyticum intralesional e a cirurgia são os tratamentos com maior evidência científica.

A doença de Peyronie pode piorar com o uso de pomadas incorretas?

O uso de pomadas inadequadas em si raramente piora a placa, mas pode atrasar o início do tratamento correto.

É possível tratar a doença de Peyronie sem cirurgia?

Sim, em casos de fase aguda ou curvatura leve a moderada, tratamentos conservadores e minimamente invasivos são indicados.

Quanto tempo dura o tratamento com injeções intralesionais?

O protocolo com colagenase geralmente envolve múltiplos ciclos de injeções ao longo de alguns meses, conforme avaliação médica.

A doença de Peyronie afeta a fertilidade masculina?

A doença em si não afeta diretamente a fertilidade, mas a disfunção erétil associada pode dificultar a relação sexual e a concepção natural.

Qual médico trata a doença de Peyronie?

O urologista é o especialista responsável pelo diagnóstico e tratamento da doença de Peyronie.

A curvatura peniana congênita é a mesma coisa que doença de Peyronie?

Não; a curvatura congênita está presente desde o nascimento e não envolve placa fibrótica adquirida como na doença de Peyronie.

Homens jovens podem ter doença de Peyronie?

Sim, embora seja mais comum após os 40 anos, a doença pode ocorrer em homens mais jovens.

A doença de Peyronie é contagiosa ou hereditária?

Não é contagiosa. Há componente genético identificado em alguns casos, com associação à contratura de Dupuytren.

O trauma peniano pode causar doença de Peyronie?

Sim, microtraumas repetidos ou traumas agudos durante a relação sexual são reconhecidos como fatores desencadeantes.

A doença de Peyronie causa dor constante?

A dor é mais comum na fase aguda, especialmente durante a ereção; na fase crônica, ela tende a diminuir ou desaparecer.

Existe algum suplemento que ajuda na doença de Peyronie?

A pentoxifilina oral tem alguma evidência como adjuvante; suplementos sem prescrição não têm eficácia comprovada.

É seguro usar pomada de verapamil comprada em farmácia de manipulação sem receita?

Não; qualquer tratamento deve ser prescrito e acompanhado por um urologista, mesmo que o produto seja manipulado.

A doença de Peyronie piora com o tempo se não for tratada?

Em alguns pacientes a doença estabiliza espontaneamente; em outros, a curvatura progride e a disfunção erétil se instala.

A terapia de ondas de choque cura a doença de Peyronie?

As ondas de choque são eficazes principalmente para reduzir a dor; o efeito sobre a curvatura é mais limitado.

Existe relação entre disfunção erétil e doença de Peyronie?

Sim; a placa fibrótica pode comprometer o mecanismo veno-oclusivo e contribuir para a disfunção erétil.

A penile traction therapy pode ser usada junto com pomadas?

Sim, a terapia de tração peniana pode ser combinada com outras abordagens conservadoras, sempre com indicação e supervisão médica.

Revisado pelo: Médico Urologista Dr. Julliano Guimarães – CRM129.290 

Atendimento presencial em São Paulo (Jardim Paulista)

Para avaliação presencial e orientação individualizada sobre procedimentos e cuidados, o atendimento ocorre em consultório em São Paulo:

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Observação: as informações deste conteúdo têm caráter educativo e não substituem consulta médica. A indicação depende de avaliação clínica.

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Médico urologista Dr. Julliano Guimarães – CRM 129.290

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