índice
- 1 Por que o tratamento precisa ser individualizado?
- 2 Pomadas usadas na doença de Peyronie: o que a medicina usa e por quê
- 3 Abordagem Tópica na Doença de Peyronie
- 4 Por que as pomadas têm eficácia limitada na doença de Peyronie
- 5 Quando o médico pode indicar uma pomada no tratamento?
- 6 Novidades e atualizações no tratamento tópico da doença de Peyronie
- 7 O que não fazer: erros comuns no uso de pomadas na doença de Peyronie
- 8 Dúvidas mais comuns sobre o tratamento com pomadas
- 8.1 O que é exatamente a doença de Peyronie?
- 8.2 A doença de Peyronie tem cura?
- 8.3 As pomadas realmente eliminam a placa fibrótica da doença de Peyronie?
- 8.4 Qual é o melhor tratamento disponível atualmente para a doença de Peyronie?
- 8.5 A doença de Peyronie pode piorar com o uso de pomadas incorretas?
- 8.6 É possível tratar a doença de Peyronie sem cirurgia?
- 8.7 Quanto tempo dura o tratamento com injeções intralesionais?
- 8.8 A doença de Peyronie afeta a fertilidade masculina?
- 8.9 Qual médico trata a doença de Peyronie?
- 8.10 A curvatura peniana congênita é a mesma coisa que doença de Peyronie?
- 8.11 Homens jovens podem ter doença de Peyronie?
- 8.12 A doença de Peyronie é contagiosa ou hereditária?
- 8.13 O trauma peniano pode causar doença de Peyronie?
- 8.14 A doença de Peyronie causa dor constante?
- 8.15 Existe algum suplemento que ajuda na doença de Peyronie?
- 8.16 É seguro usar pomada de verapamil comprada em farmácia de manipulação sem receita?
- 8.17 A doença de Peyronie piora com o tempo se não for tratada?
- 8.18 A terapia de ondas de choque cura a doença de Peyronie?
- 8.19 Existe relação entre disfunção erétil e doença de Peyronie?
- 8.20 A penile traction therapy pode ser usada junto com pomadas?
A doença de Peyronie é uma condição urológica que provoca a formação de placas de tecido fibrótico no interior do pênis, resultando em curvatura, dor durante a ereção e, em casos mais avançados, disfunção erétil. Estima-se que o problema acomete entre 3% e 9% dos homens adultos, com maior prevalência após os 40 anos.
Embora cirurgias, terapias de tração e injeções intralesionais estejam entre as abordagens mais discutidas no tratamento da Peyronie, muitos pacientes chegam ao consultório buscando uma alternativa aparentemente mais simples: o uso de pomadas. A resposta, porém, exige clareza técnica, porque nem toda opção tópica tem eficácia comprovada para corrigir a curvatura peniana ou reduzir a placa fibrótica.
Nota: O uso tópico tem indicações específicas, limitações importantes e jamais deve ser feito sem orientação médica.
Por que o tratamento precisa ser individualizado?
O tratamento varia conforme a fase da doença, a intensidade da curvatura, a presença de dor e o impacto funcional relatado pelo paciente. Existem basicamente duas fases:
- Fase aguda: Duração de 6 a 18 meses, com dor ativa, progressão da curvatura e placa em formação
- Fase crônica: Estabilização da curvatura, ausência de dor e placa consolidada
Essa distinção é fundamental para entender por que as pomadas têm indicações tão restritas.

Pomadas usadas na doença de Peyronie: o que a medicina usa e por quê
O uso de agentes tópicos na doença de Peyronie é estudado há décadas, mas a evidência científica disponível ainda é limitada quando comparada às terapias intralesionais e cirúrgicas. Ainda assim, alguns compostos são utilizados na prática clínica, especialmente em fases iniciais ou como terapia adjuvante.
✓ Verapamil tópico
O verapamil é um bloqueador dos canais de cálcio originalmente desenvolvido para tratar hipertensão. Na doença de Peyronie, ele atua inibindo a síntese de colágeno e estimulando a produção de colagenase, a enzima que degrada o tecido fibrótico.
O verapamil pode ser aplicado por via intralesional (injeção direta na placa) ou em gel tópico. A formulação tópica apresenta menor penetração na túnica albugínea em comparação à injeção, o que limita sua eficácia. Alguns estudos observacionais relatam melhora discreta da curvatura e da dor em fase aguda, mas os resultados são inconsistentes.
Indicação clínica: fase aguda, como adjuvante, em pacientes que recusam injeções ou aguardam procedimento mais definitivo.
✓ H-100 (gel de verapamil com nitroglicerina)
Trata-se de uma formulação combinada desenvolvida especificamente para uso tópico na doença de Peyronie. O H-100 associa verapamil e nitroglicerina em gel. A nitroglicerina tem efeito vasodilatador e pode facilitar a penetração do verapamil na placa fibrótica.
Estudos preliminares mostraram redução da curvatura e da dor em alguns pacientes na fase aguda. No entanto, o produto ainda não possui aprovação regulatória ampla e não está disponível comercialmente no Brasil de forma padronizada.

✓ Pomadas à base de vitamina E
Durante muitos anos, a vitamina E oral e tópica foi amplamente utilizada como tratamento para a doença de Peyronie. Sua ação antioxidante era considerada potencialmente benéfica para reduzir a fibrose.
Contudo, estudos controlados mais rigorosos não confirmaram eficácia superior ao placebo. As diretrizes da American Urological Association (AUA) e da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) não recomendam a vitamina E tópica como tratamento isolado, embora alguns médicos ainda a utilizem como coadjuvante.
✓ Colchicina tópica
A colchicina é um anti-inflamatório utilizado principalmente no tratamento da gota. Sua capacidade de inibir a formação de colágeno levou pesquisadores a estudar seu potencial na doença de Peyronie, tanto por via oral quanto tópica.
Os resultados em estudos tópicos são escassos e inconclusivos. O uso oral tem evidência marginalmente maior, mas ainda insuficiente para recomendação isolada pelas principais diretrizes urológicas.
✓ Interferon alfa-2b tópico
O interferon é uma proteína com ação anti-inflamatória e antifibrótica. Por via intralesional, o interferon alfa-2b apresenta evidências positivas reconhecidas pelas diretrizes. A versão tópica, porém, não demonstrou penetração suficiente para atingir a placa com concentração terapêutica.
Abordagem Tópica na Doença de Peyronie
Dr. Julliano Guimarães | Urologia Especializada
| Agente tópico | Mecanismo de ação | Evidência científica | Disponibilidade no Brasil | Indicação atual |
|---|---|---|---|---|
| Verapamil gel | Inibe síntese de colágeno | Limitada | Manipulado | Adjuvante fase aguda |
| H-100 (verapamil + nitroglicerina) | Antifibrótico + vasodilatador | Preliminar | Não padronizado | Pesquisa clínica |
| Vitamina E tópica | Antioxidante | Não confirmada | Farmácias e manipuladas | Não recomendada isoladamente |
| Colchicina tópica | Anti-inflamatório | Insuficiente | Manipulado | Uso off-label restrito |
| Interferon alfa-2b tópico | Antifibrótico | Insuficiente | Não disponível | Não recomendado |
Por que as pomadas têm eficácia limitada na doença de Peyronie
A principal barreira ao uso tópico eficaz na doença de Peyronie é anatômica. A túnica albugínea é uma estrutura densa e pouco vascularizada, o que dificulta a penetração de substâncias aplicadas sobre a pele. A maioria dos agentes tópicos não consegue atingir concentração terapêutica suficiente no local da placa fibrótica.
Isso não significa que o uso tópico seja completamente ineficaz em todos os pacientes, mas explica por que:
- As injeções intralesionais (como colagenase de clostridium histolyticum) têm resultados superiores
- A fisioterapia com ultrassom terapêutico pode potencializar a penetração de alguns agentes
- O terapia de ondas de choque extracorpóreas é considerada mais eficaz para redução da dor
- A cirurgia permanece como padrão-ouro nos casos crônicos com curvatura acima de 30 graus e disfunção erétil associada

Quando o médico pode indicar uma pomada no tratamento?
Apesar das limitações, o urologista pode considerar o uso de agentes tópicos nas seguintes situações:
- Fase aguda inicial, com dor presente e curvatura em progressão
- Pacientes que recusam injeções e aguardam avaliação cirúrgica
- Terapia combinada, associada a outras modalidades como penile traction therapy (PTT) e ondas de choque
- Curvatura leve a moderada (abaixo de 30 graus) sem disfunção erétil significativa
- Perfil clínico de baixo risco cirúrgico em que se opta por conduta conservadora temporária
Em nenhuma dessas situações o uso tópico deve ser iniciado por conta própria. A automedicação, além de ineficaz, pode atrasar o diagnóstico correto e o início do tratamento adequado.
Novidades e atualizações no tratamento tópico da doença de Peyronie
A pesquisa sobre novas formulações tópicas para a doença de Peyronie está em andamento. Entre os desenvolvimentos mais recentes, destacam-se:
- Nanopartículas carreadoras: tecnologias de liberação controlada que permitem que moléculas ativas atravessem a barreira da túnica albugínea com maior eficiência. Estudos pré-clínicos mostram resultados promissores, mas ainda sem aplicação clínica consolidada.
- Gel de colchicina nanoencapsulada: formulações experimentais que utilizam nanoencapsulamento para aumentar a biodisponibilidade da colchicina na placa fibrótica, com estudos em fase inicial.
- Peptídeos antifibróticos tópicos: linha de pesquisa que busca desenvolver moléculas menores, capazes de penetrar tecidos densos e atuar diretamente na remodelação do colágeno.
Essas tecnologias ainda não estão disponíveis na prática clínica cotidiana, mas indicam que o futuro do tratamento tópico pode ser mais promissor do que o cenário atual.
O que não fazer: erros comuns no uso de pomadas na doença de Peyronie
Muitos pacientes recorrem à internet antes de consultar um especialista e acabam cometendo erros que podem agravar o quadro ou atrasar o tratamento correto. Os mais frequentes são:
- Usar pomadas analgésicas ou anti-inflamatórias genéricas
Sem relação com a patologia - Aplicar produtos sem prescrição
Baseando-se em relatos de fóruns ou grupos de redes sociais - Acreditar que qualquer pomada com “efeito fibrolítico”
Pode substituir o tratamento médico - Interromper o acompanhamento urológico
Por acreditar que o uso tópico é suficiente - Confundir melhora temporária da dor
Com resolução da placa fibrótica
A doença de Peyronie é uma condição com impacto físico e psicológico relevante. O diagnóstico correto, feito por meio de anamnese detalhada, exame físico e, quando necessário, ultrassonografia com Doppler peniano, é o ponto de partida para qualquer tratamento eficaz.
O tratamento da doença de Peyronie exige avaliação criteriosa, baseada em evidências e personalizada para cada paciente. O uso de pomadas pode ter papel adjuvante em situações específicas, mas jamais substitui o acompanhamento urológico especializado.
Diante de tantas opções e informações conflitantes sobre o tratamento da doença de Peyronie, contar com um urologista experiente faz toda a diferença no resultado. O Dr. Julliano Guimarães está preparado para avaliar seu caso com precisão técnica e indicar o caminho terapêutico mais adequado para a sua realidade clínica.
Dúvidas mais comuns sobre o tratamento com pomadas
O que é exatamente a doença de Peyronie?
É uma condição em que placas de tecido fibrótico se formam no pênis, causando curvatura, dor e, em alguns casos, disfunção erétil.
A doença de Peyronie tem cura?
Sim, em muitos casos é possível tratar com sucesso, especialmente com cirurgia nos casos crônicos ou terapias intralesionais na fase aguda.
As pomadas realmente eliminam a placa fibrótica da doença de Peyronie?
Não há evidência científica robusta de que pomadas tópicas eliminem a placa; elas podem reduzir a dor e ter efeito coadjuvante limitado.
Qual é o melhor tratamento disponível atualmente para a doença de Peyronie?
A colagenase de clostridium histolyticum intralesional e a cirurgia são os tratamentos com maior evidência científica.
A doença de Peyronie pode piorar com o uso de pomadas incorretas?
O uso de pomadas inadequadas em si raramente piora a placa, mas pode atrasar o início do tratamento correto.
É possível tratar a doença de Peyronie sem cirurgia?
Sim, em casos de fase aguda ou curvatura leve a moderada, tratamentos conservadores e minimamente invasivos são indicados.
Quanto tempo dura o tratamento com injeções intralesionais?
O protocolo com colagenase geralmente envolve múltiplos ciclos de injeções ao longo de alguns meses, conforme avaliação médica.
A doença de Peyronie afeta a fertilidade masculina?
A doença em si não afeta diretamente a fertilidade, mas a disfunção erétil associada pode dificultar a relação sexual e a concepção natural.
Qual médico trata a doença de Peyronie?
O urologista é o especialista responsável pelo diagnóstico e tratamento da doença de Peyronie.
A curvatura peniana congênita é a mesma coisa que doença de Peyronie?
Não; a curvatura congênita está presente desde o nascimento e não envolve placa fibrótica adquirida como na doença de Peyronie.
Homens jovens podem ter doença de Peyronie?
Sim, embora seja mais comum após os 40 anos, a doença pode ocorrer em homens mais jovens.
A doença de Peyronie é contagiosa ou hereditária?
Não é contagiosa. Há componente genético identificado em alguns casos, com associação à contratura de Dupuytren.
O trauma peniano pode causar doença de Peyronie?
Sim, microtraumas repetidos ou traumas agudos durante a relação sexual são reconhecidos como fatores desencadeantes.
A doença de Peyronie causa dor constante?
A dor é mais comum na fase aguda, especialmente durante a ereção; na fase crônica, ela tende a diminuir ou desaparecer.
Existe algum suplemento que ajuda na doença de Peyronie?
A pentoxifilina oral tem alguma evidência como adjuvante; suplementos sem prescrição não têm eficácia comprovada.
É seguro usar pomada de verapamil comprada em farmácia de manipulação sem receita?
Não; qualquer tratamento deve ser prescrito e acompanhado por um urologista, mesmo que o produto seja manipulado.
A doença de Peyronie piora com o tempo se não for tratada?
Em alguns pacientes a doença estabiliza espontaneamente; em outros, a curvatura progride e a disfunção erétil se instala.
A terapia de ondas de choque cura a doença de Peyronie?
As ondas de choque são eficazes principalmente para reduzir a dor; o efeito sobre a curvatura é mais limitado.
Existe relação entre disfunção erétil e doença de Peyronie?
Sim; a placa fibrótica pode comprometer o mecanismo veno-oclusivo e contribuir para a disfunção erétil.
A penile traction therapy pode ser usada junto com pomadas?
Sim, a terapia de tração peniana pode ser combinada com outras abordagens conservadoras, sempre com indicação e supervisão médica.
Revisado pelo: Médico Urologista Dr. Julliano Guimarães – CRM129.290
Atendimento presencial em São Paulo (Jardim Paulista)
Para avaliação presencial e orientação individualizada sobre procedimentos e cuidados, o atendimento ocorre em consultório em São Paulo:
Av. Brigadeiro Luís Antônio, 3421 - sala 314
Jardim Paulista, São Paulo - SP, 01401-001
Observação: as informações deste conteúdo têm caráter educativo e não substituem consulta médica. A indicação depende de avaliação clínica.
Médico urologista Dr. Julliano Guimarães – CRM 129.290




